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Portal SBN
Quarta, 20 de outubro de 2021, 16:15:21

Aluna macuxi sonha em ser jornalista e comanda jornal em escola

Aluna da Escola Estadual Joaquim Nabuco, no município de Uiramutã, Sara Megias, de 13 anos é âncora do Jornal Virtual JN e tem como cinegrafista a amiga e colega de classe.
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Cultura - Indigena

"Olá pessoal, boa tarde", é com essa saudação que a repórter e apresentadora Sara Megias, de 13 anos, inicia o Jornal Virtual JN. Embora tenha a mesma sigla do tradicional telejornal da Rede Globo, o nome, na verdade, faz alusão à Escola Estadual Joaquim Nabuco, no município de Uiramutã, Norte de Roraima, onde a adolescente estuda. Indígena da etnia Macuxi, ela sonha ser jornalista e antes mesmo de se formar na área, já tem dado os primeiros passos na carreira.

As pautas do Jornal Virtual JN são sempre programações e atividades que ocorrem na escola como palestras, eventos e comemorações. Na última edição, o jornal divulgou uma palestra sobre o combate às drogas.

O informativo não tem uma periodicidade -- ele é lançado quando acontece alguma coisa -- mas é feito com muito carinho pelos alunos do 8º ano do ensino fundamental e guiado pela professora de matemática, Bérguia Silva.

De acordo com a âncora do noticiário, a ideia surgiu após um trabalho da professora. A atividade fez tanto sucesso na escola, que Bérguia decidiu dar continuidade ao projeto que, além de Sara, conta com a colaboração da amiga e colega de classe, Ana Priscila Cardoso, de 13 anos, exercendo a função de cinegrafista.

Apesar de aparecer em frente as câmeras, Sara faz questão de dividir os créditos com a amiga cinegrafista e com a professora. Orgulhosa de suas origens e da sua comunidade, sonha continuar na carreira de jornalista para mostrar a realidade das comunidades indígenas.

"Eu sou indígena com orgulho e meu sonho é ser jornalista. Eu quero fazer reportagens que mostrem o que está acontecendo dentro das comunidades indígenas. Ajudar mais o meu povo com educação, com reportagens para que todos daqui, de fora, saibam que está acontecendo em Uiramutã e com os povos indígenas", confessa.

O Uiramutã é um município de Roraima localizado na reserva indígena Raposa Serra do Sol e, para Sara, ser um exemplo para as crianças indígenas é uma de suas maiores motivações. Por isso, ela antecipa que está planejando uma reportagem especial para o Dia dos Povos Indígenas, nesta terça-feira (19/04).

“Aqui na nossa escola, vai ter uma gincana para comemorar a consciência indígena. Eu e a minha colega, Priscila, vamos produzir uma reportagem sobre isso aqui na escola, falando da gincana pois essa data é muito importante para mim".

"O que eu também quero, é viajar para todos os lugares para fazer reportagens junto com a minha amiga Priscila".
A professora Bergia Silva explica que apenas dá o direcionamento das pautas do jornal, mas a produção é totalmente dos alunos da escola e, para ela, esse o "maior barato" do projeto.

"A gente se reúne para coletar todo o material que foi feito durante a reportagem. Então, as meninas começam a fazer as edições com cortes, melhorando falas, fazendo mesmo a montagem. É muito bacana e o legal é que é feito por eles, eu só dou o direcionamento".

A divulgação das edições do jornal ocorrem pelas redes sociais. A professora manda no grupo dos pais dos alunos e os vídeos viralizam na cidade.

"A gente encaminha os vídeos para os grupos dos pais dos alunos, para o grupo da sede do Uiramutã para que todos saibam o que está acontecendo na escola, dentro da comunidade. O Uiramutã é pequeno, todo mundo conhece todo mundo, então, os alunos aqui tem pais que se conhecem e todo mundo vai mandando para o outro. Espalha para todos".

Sara ainda tem dúvidas sobre o futuro, pois também quer ser policial. Ela conta que tem o apoio dos pais para as duas carreiras que deseja seguir e por isso. sabe que precisa continuar estudando até se formar.

"O que eu espero do meu futuro é terminar os meus estudos e fazer faculdade para ser jornalista. Eu quero que meu pais vivam em um lugar muito bom e terminem [de construir] a casa deles, pra eles morarem, é isso que eu quero".

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