Advogada afirma ter sido presa e agredida por policiais militares em delegacia no ES

Advogada afirma ter sido presa e agredida por policiais militares em delegacia no ES
14 julho 14:36 2020 Imprimir notícia
Polícia

Uma advogada afirma ter sido presa e agredida por policiais militares enquanto estava trabalhando na noite desta segunda-feira (13/07) na Delegacia Regional de Vitória.

Um representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) que esteve no local para acompanhar o caso afirmou que além de a prisão ser ilegal, a profissional também ficou com marcas das agressões no corpo.

A advogada foi até a delegacia para atender um cliente que havia sido preso durante uma ação da Polícia Militar. A confusão teve início após uma discussão entre ela e os militares.

"Ela foi abordada, segundo ela, por dois policiais militares, que já de forma bem ríspida a agrediram com palavras. Essa discussão foi se intensificando e acabou que esses dois militares a agrediram fisicamente, inclusive pegaram ela pelo pescoço. Ela está cheia de marcas pelo corpo. Inclusive algemaram ela e deram voz de prisão", afirmou o diretor de Prerrogativas da Associação Brasileira de Advogados Criminalistas, Ricardo Pimentel Barbosa.

Vídeos gravados dentro da Delegacia Regional de Vitória mostram imagens da advogada já algemada.

Em outro registro há uma discussão e um princípio de confusão. Um policial militar afirma que a advogada está detida.

"Filma aí, eu quero falar com o delegado, eu só saio daqui com o delegado presente", disse a advogada.

Já o militar, justificou-se. "A senhora está presa por desacato policial e ameaça. A senhora sabe que desacatou um policial e ameaçou".

Em um outro trecho, o PM afirmou que a advogada não teria se apresentado devidamente e, por isso, teria sido afastada.

"Ela perdeu a razão. Ela ameaçou e desacatou. Se recusou a se identificar, foi dada voz de prisão pra ela, ela se recusou a ser detida", afirmou o policial.

Para Ricardo Pimentel Barbosa, que acompanhou todo o andamento da ocorrência, a detenção foi ilegal.

"Não é possível que em pleno estado democrático de direito um advogado seja desrespeitado dessa forma. Ele vem aqui a trabalho e sofre uma violência dessas. fora o constrangimento que a polícia está fazendo o advogado passar diante do seu cliente e dos familiares do seu cliente", pontuou.

Segundo a Polícia Civil, o delegado de plantão entendeu que os depoimentos eram controversos e encaminhou a ocorrência para uma melhor apuração dos fatos. O procedimento foi encaminhado para o Distrito de Polícia, que atende a região.

O delegado liberou a advogada e enviou o caso à Corregedoria da PM.

O tenente Anthony, da Subseção de Jornalismo da PM, disse em entrevista ao ES1 que os agentes narraram na ocorrência que a advogada os ameaçou, não se identificou ao chegar na delegacia e adentrou uma área que é restrita aos policiais.

"Ela chegou bastante exaltada, fazendo ameaças aos policiais, dizendo que estavam sob sua mira, entre outras coisas, e usando palavras de baixo calão. Em dado momento, os policiais pediram que ela se identificasse, ela se negou e continuou a fazer ameaças", detalhou o tenente.

O tenente também disse que a Polícia Militar está disposta a esclarecer todos os fatos e que os policiais agiram de forma legal.

"A PM está disposta, aberta a esclarecer quaisquer fatos que sejam necessários. É importante ressaltar que os policiais que ali estavam agiram de forma legal, de acordo com a ocorrência, porque eles foram ameaçados. Tentaram agredir os policiais, ela inclusive. Ela resistiu à voz de prisão, foi necessário imobilizá-la para uso de algemas e só depois ela se identificou. E assim que ela se identificou foi feito o contato com o advogado de prerrogativas", disse.

OAB fará denúncia na Corregedoria da PM

Na manhã desta terça (14/07), o presidente da Comissão de Direitos e Prerrogativas da OAB-ES, Ben-Hur Brenner Dan Farina, afirmou que a instituição fará uma denúncia contra os policiais militares envolvidos na ocorrência à Corregedoria da Polícia Militar.

Ainda segundo Ben-Hur, o delegado da Polícia Civil que estava de plantão na Delegacia Regional de Vitória interpretou que houve crime militar por parte dos servidores.

"Ao deferir tapas na advogada, pegando-a pelo pescoço, algemando-a e empurrando-a, a Polícia Militar desrespeitou todas as prerrogativas da categoria dos advogados. E mais, agrediu o advogado que tinha filmado toda a cena porque não queriam permitir que ela fosse publicada. Portanto, hoje a OAB vai representar junto à Corregedoria contra os policiais", pontuou.

PORTAL SBN | COM INFORMAÇÕES DO G1

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