Anvisa pedirá veto a prazo de 5 dias para aprovação de vacina

Anvisa pedirá veto a prazo de 5 dias para aprovação de vacina
10 fevereiro 09:47 2021 Imprimir notícia
Saúde

O diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antônio Barra Torres, disse, em entrevista à GloboNews nesta quarta-feira (10/2), que vai pedir ao presidente Jair Bolsonaro que vete trecho da medida provisória que prevê um prazo de cinco dias para aprovação de uso emergencial de vacinas contra a Covid-19. Barra Torres e o presidente têm uma reunião marcada ainda nesta quarta.

A medida (MPV nº 1.003/2020), aprovada no Senado no dia 4, prevê, entre outros pontos, que a Anvisa deverá conceder a autorização temporária de uso emergencial das vacinas em até cinco dias. O prazo previsto no texto não é para análise, mas, sim, para autorização do uso se a vacina em questão já tiver sido autorizada por uma agência regulatória de outros 9 países (veja lista mais abaixo).

"Entendemos que é uma ameaça à soberania nacional no que tange os aspectos sanitários. O que protege o cidadão brasileiro é um escudo chamado Anvisa. Esse escudo está sendo removido das mãos dos servidores e gerando uma insegurança sanitária na medida em que o texto no seu artigo quinto, logo na sua primeira fase, contempla uma única possibilidade: que é de conceder autorização. É como que dizer ao juiz antes do julgamento: o réu já está condenado ou absolvido", declarou Barra Torres.

"Não seria razoável pedir que o presidente sancionasse a medida provisória que anula o nosso trabalho", afirmou.

O texto prevê autorização da Anvisa se a vacina em questão já tiver sido aprovada por uma das seguintes agências regulatórias:

- Food and Drug Administration (FDA), dos Estados Unidos;

- European Medicines Agency (EMA), da União Europeia;

- Pharmaceuticals and Medical Devices Agency (PMDA), do Japão;

- National Medical Products Administration (NMPA), da China;

- Health Canada (HC), do Canadá;

- The Medicines and Healthcare Products Regulatory Agency (MHRA), do Reino Unido;

- Korea Disease Control And Prevention Agency (KDCA), da Coreia do Sul;

- Ministério da Saúde da Rússia;

Administración Nacional De Medicamentos, Alimentos Y Tecnología Médica (ANMAT), da Argentina.

As regras em vigor hoje são diferentes: estabelecem prazo de 72 horas para a análise da Anvisa, e consideram uma lista mais restrita de agências internacionais – apenas as dos EUA, União Europeia, Japão e China.

"Seja decisão de 3, 5, 2 dias, nós temos um limite de trabalho. Nossos servidores que analisam, que leem o dossiê de 20 mil páginas, eles estão hoje com dois protocolos de registros pesadíssimos na mão: AstraZeneca e Pfizer, dois dossiês imensos", disse o diretor da Anvisa.

"Esses servidores já estão trabalhando no limite. Pode ser que amanhã ou depois entre novo protocolo, mas o grupo é o mesmo. Não tiro servidor da gaveta para somar esforços, os grupos são específicos", completou.

"O que acontecerá é que, diante de um prazo insuficiente, prestaremos conta do que foi analisado até aquele momento e faremos constar em bula e em caixa: aprovado pela lei XYZ, produto sem análise da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Nós somos legalistas, estamos usando todos os recursos para tentar convencer as autoridades de que não é razoável agir dessa maneira", disse o diretor.

Ainda na terça, Barra Torres já havia criticado a medida provisória.

"Não está escrito 'analisará', não está escrito que vai estudar o tema, não está escrito que vai verificar se há risco, se não há. Está escrito ‘concederá autorização’. Só nos é dada uma opção; é o sim, só tem essa opção", disse.

No mesmo dia, a Anvisa dispensou o registro e a autorização emergencial para vacinas do consórcio Covax Facility.

A agência avaliou que a análise dos imunizantes pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que coordena a Covax, dispensa a necessidade de uma nova análise, até porque a própria Anvisa participa do consórcio.

O Brasil tem, hoje, duas vacinas aprovadas para uso emergencial contra a Covid-19: a de Oxford e a CoronaVac.

PORTAL  SBN | COM INFORMAÇÕES DO G1

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