Dezesseis mulheres grávidas ou em pós-parto morreram vítimas de Covid-19 no ES

Dezesseis mulheres grávidas ou em pós-parto morreram vítimas de Covid-19 no ES
24 abril 21:16 2021 Imprimir notícia
Espírito Santo

Desde o início da pandemia da Covid-19, em março do ano passado, até agora, 16 mulheres grávidas ou em período pós-parto morreram em função da doença no Espírito Santo.

O número de mortes representa quase um terço (28,5%) do total de casos de síndrome respiratória aguda entre a população materna do estado que teve a infecção pelo vírus confirmada.

Desse total, 10 mulheres morreram no ano passado, ao longo de nove meses, enquanto outras seis morreram somente nos primeiros quatro primeiros meses de 2021.

Mortes e casos de Covid-19 nas cidades do ES

Pesquisadores do Observatório Obstétrico Brasileiro Covid-19 (OOBr Covid-19), que é responsável pela sistematização de tais dados, apontam que as informações relativas ao Espírito Santo comprovam uma realidade que acende um alerta em todo o Brasil: o número de mulheres grávidas ou puérperas vítimas do coronavírus está crescendo em uma velocidade maior.

“A doença está se mostrando mais grave para todos, mas para a população materna talvez esse aumento esteja sendo um pouco mais acelerado”, disse a professora Ágatha Rodrigues, do Departamento de Estatística da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).

Ágatha é uma das criadoras do Observatório Obstétrico, que, junto a pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e do Centro Universitário Facens, de Sorocaba, busca identificar os impactos da Covid-19 entre a população de gestantes e puérperas (mulheres em período pós-parto).

O projeto está sendo desenvolvido dentro de um observatório criado na Ufes para integrar bases de dados oficiais sobre a saúde materna e infantil de todo o país.

Os dados usados pelo Observatório são coletados do Ministério da Saúde e atualizados semanalmente. A última atualização foi feita na última terça-feira, dia 21 de abril.

Até esta data, 56 mulheres grávidas ou em pós-parto que testaram positivo para a Covid-19 desenvolveram síndromes respiratórias graves no Espírito Santo e 16 não resistiram à doença.

O número de mulheres mortas esse ano (seis) já representa 60% do número total de mortes ocorridas no ano passado, quando dez mulheres morreram.

No Brasil como um todo, a aceleração dos casos graves de Covid-19 na população materna é ainda maior: em 2020, foram registradas 457 mortes de mulheres, enquanto em 2021 já foram 436, somando um total de 893 vítimas.

Em quatro meses, o número de mortes de grávidas e puérperas já se aproxima muito do total de mortes registradas de março a dezembro de 2020.

“Em 2020, a média semanal no Brasil era de 10,16 mortes maternas por Covid-19. Já em 2021, essa média semanal subiu para 29. Isso representa um aumento semanal de mortes de 186% na população materna, enquanto na população em geral esse aumento foi de 82% de um ano para o outro”, avaliou Ágatha.

Internações em UTIs

Ao todo, 86 casos de Covid-19 em gestantes ou mães em período pós-parto foram confirmados no Espírito Santo. Desse total, 56 já são considerados finalizados, ou seja, com desfecho de cura ou de morte das pacientes. Assim, as 16 mortes registradas representam 28,57% desses casos.

Os dados coletados apontam ainda que, entre esses 56 casos, 25 foram mais graves e, por isso, as mulheres precisaram ser internadas em leitos de UTI. Foram nesses leitos onde morreram 15 das 16 mães vítimas fatais da doença.

Conforme aponta Ágatha, isso significa que o percentual de mães que morreram com Covid-19 e que não tiveram acesso à terapia intensiva é de 6,25% no estado.

Trata-se de um dos percentuais mais baixos registrados na comparação com outros estados brasileiros.

Em Tocantins, por exemplo, os dados evidenciam que quase 56% das grávidas e das mães que tiveram síndrome respiratória aguda por causa da Covid-19 e que possivelmente precisaram de assistência intensiva não tiveram acesso às UTIs. No Brasil como um todo, esse percentual é de 22,8%.

Este mês, o secretário de Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde, Raphael Parente, pediu que as mulheres adiem a gravidez até haver uma melhora da pandemia, se for possível.

Na ocasião, Parente, justificou o pedido afirmando que a gravidez é, por definição, uma condição que favorece as tromboses – a formação de coágulos no sangue. A Covid-19 também favorece a ocorrência de tromboses, o que pode tornar a doença ainda mais perigosa na gravidez.

'Devem ser grupo prioritário de vacinação', diz especialista
Para a epidemiologista e professora da Ufes, Ethel Maciel, os números evidenciam que as mulheres grávidas e que acabaram de ter seus filhos sejam incluídas no grupo prioritário da vacinação contra a Covid-19. Segundo ela, comunidades científicas na área de pediatria e de ginecologia já se organizam para fazer esse pedido ao Ministério da Saúde.

Ethel ressaltou que a vacina Pfizer, cujo primeiro lote com um milhão de doses deverá chegar ao Brasil ainda este mês, é a que possui mais evidências científicas de que não é prejudicial às gestantes e que, por isso, poderia ser usada para a imunização desse grupo.

A professora também destacou que deve haver em todos os estados um esforço para que as mulheres nessa condição sejam mais protegidas.

"Há implicações tanto para a mãe quanto para o bebê, pois há o risco de eles precisarem ir para UTI por conta de um parto acelerado. Seria importante que tivéssemos a proteção desse grupo e que ele fosse reconhecido em todos os estados como um grupo que precisa ser protegido, permitindo, por exemplo, que essas mulheres fiquem em trabalho remoto. Reduzir a exposição delas ao vírus é muito importante", explicou Ethel.

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