Entenda o que é a variante delta do coronavírus e quais são os riscos para o Brasil

Entenda o que é a variante delta do coronavírus e quais são os riscos para o Brasil
09 julho 12:09 2021 Imprimir notícia
Saúde

O que acontece quando uma variante perigosa do coronavírus se choca com outra também ameaçadora em uma briga por território? A pergunta, que parece saída da narração de um documentário de vida selvagem, se aplica bem à disputa que as variantes Delta, originária da Índia, e Gama, identificada primeiro no Amazonas, podem travar no Brasil. Esse embate mórbido está em observação pelos cientistas, principalmente desde que casos que apontam transmissão comunitária (quando eles não são “importados”) da Delta foram achados por aqui.

— As variantes britânica e sul-africana entraram no Brasil, mas não se espalharam — recorda o cientista Amilcar Tanuri, coordenador do Laboratório de Virologia Molecular da UFRJ. — Mas com a Delta não sabemos como será. A gente terá que acompanhar com estudos de larga escala. É preocupante como ela vai se comportar. No Rio, por exemplo, nós já vimos a variante P2 ser substituída pela P1 (outra nomenclatura para a Gama) em questão de um mês.

De acordo com o Ministério da Saúde, 16 casos da variante Delta foram notificados no Brasil até agora. A maior parte deles no Maranhão, que tem seis diagnósticos positivos — todos em tripulantes de um mesmo navio. O estado é seguido por Rio de Janeiro e Paraná, com três, e depois, Goiás, com dois. Além de Minas Gerais e São Paulo, com um caso positivo por estado. Dois óbitos foram confirmados, no Maranhão (um indiano de 54 anos) e no Paraná (uma gestante de 42 anos que esteve no Japão).

Na capital paulista, para tentar identificar a origem da transmissão, a prefeitura realiza um inquérito epidemiológico entre contactantes da família do primeiro caso conhecido — um homem de 45 anos —, revelado na segunda-feira, mas que adoeceu ainda em junho. Cerca de 30 pessoas fazem parte do rastreio. Caso não seja possível identificar quem trouxe o vírus até a cidade, estará confirmada a transmissão comunitária.

Essa demora em descobrir os casos é outro ponto de preocupação. O mapeamento genômico da Covid no Brasil (maneira que se tem para conhecer o vírus em circulação) ainda é muito inferior, por exemplo, ao feito no Reino Unido, ainda que tenhamos melhorado em 2021, conta Fernando Spilki, virologista e coordenador da Rede Corona-ômica. A iniciativa, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, foi criada para observar as variantes.

— De fevereiro de 2020 a fevereiro de 2021, o Brasil tinha feito cerca de 2,6 mil sequenciamentos, mas de fevereiro deste ano até agora temos 22 mil. Melhoramos muito, mas para ter um acompanhamento mais rápido e fidedigno precisaríamos agilizar ainda mais e ter mais recursos — diz.

Proteína mais forte

A Delta, assim como as três demais variantes de preocupação, ganhou atenção ao conquistar espaço em meio a uma nova e pior onda da doença. Na Índia, isso ocorreu principalmente a partir de fevereiro de 2021, embora a circulação tenha iniciado em outubro de 2020. Em meses, ela tornou-se dominante no cenário local e, posteriormente, em países para os quais migrou, em trajetória que lembra a das variantes Alfa (Reino Unido), Beta (África do Sul) e Gama (Amazonas).

Em comum, esses locais têm o fato de terem registrado altas incidências da Covid. É sempre em um lugar com muitos contaminados, explica o virologista José Eduardo Levi, que o vírus tem cenário livre para ganhar mutações e passá-las adiante. Nessa competição por espaço, as piores formas tendem a vencer.

Não é à toa que as variantes de preocupação têm semelhanças nas mutações, ressalta Levi, que coordena um projeto de vigilância genômica do vírus na rede de laboratórios Dasa. As mutações que mais chamam a atenção na Delta ocorrem em pontos específicos da proteína spike — o material que forma a coroa do vírus. Essa proteína é o ponto de ligação entre o coronavírus e a célula humana. Com a variação da nova cepa, o vírus faz essa conexão com maior facilidade. Estudos chegam a apontar que ela seja 60% mais transmissiva.

— A proteína spike desta cepa é mais forte. Ela se “gruda” melhor ao receptor e fica mais difícil de romper a ligação, seja por meio de vacinas e anticorpos monoclonais. A Delta entra para a célula com mais facilidade — explica Salmo Raskin, membro da Sociedade Brasileira de Genética Médica.

Eficácia da vacinação

Há ainda dúvidas em relação à performance das vacinas frente à variante. Resultados iniciais, contudo, apontam para boa efetividade, mesmo que reduzida. Um novo estudo, liderado pelo Instituto Pasteur (França), concluiu que as vacinas da Pfizer e AstraZeneca são capazes de neutralizar o vírus após a segunda dose. O trabalho, publicado na revista Nature, analisou o soro sanguíneo de 162 pessoas vacinadas. Diante da Delta, os anticorpos daqueles com esquema vacinal completo tiveram efetividade de 95%. Só com uma dose, a resposta foi de 10%.

Quanto à CoronaVac, estudos iniciais na China também apontam para a efetividade, afirma Dimas Covas, diretor do Butantan.

Embora não se saiba qual cepa prevalecerá no Brasil, as formas de controle são as mesmas de sempre, lembram os especialistas.

— Isolamento e vacinação: é isso o que precisamos fazer — diz Maurício Nogueira, virologista e professor da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto.

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