Inteligência americana continua dividida sobre origem da Covid, e Biden acusa China de reter informações sobre vírus

Inteligência americana continua dividida sobre origem da Covid, e Biden acusa China de reter informações sobre vírus
30 agosto 10:54 2021 Imprimir notícia
Mundo

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, acusou nesta sexta-feira a China de reter "informação crucial" sobre a origem da Covid-19, após a divulgação do resumo de um relatório sobre a origem do vírus Sars-Cov-2 que mostrou a Inteligência americana ainda dividida sobre o assunto. O teor do documento já havia sido noticiado esta semana por diversos jornais americanos.

Há três meses, Biden ordenou às agências de inteligência americanas que investigassem as origens do vírus, reavivando a hipótese de o patógeno ter escapado de um laboratório chinês, ideia que, no ano passado, fora descartada como conspiratória. Ao justificar o pedido, Biden afirmou que havia um grande número de dados que não haviam sido bem analisados.

O resumo do relatório divulgado nesta sexta-feira aponta que as autoridades ainda não conseguiram determinar se o Sars-Cov-2 se disseminou a partir de um vazamento acidental de um laboratório chinês ou de forma natural, em uma transmissão de animais para humanos, como os patógenos anteriores do tipo coronavírus. Biden recebeu o documento na terça-feira.

"Existe informação crucial sobre as origens desta pandemia na República Popular da China, mas, desde o princípio, os funcionários do governo chinês têm trabalhado para evitar que os pesquisadores internacionais e membros da comunidade de saúde pública mundial tenham acesso a ela", disse Biden em um comunicado. "Até o dia de hoje, a República Popular da China continua rejeitando os apelos à transparência e retendo informação, inclusive quando o número de vítimas desta pandemia segue aumentando."

A China rejeita firmemente que o vírus tenha escapado do Instituto de Virologia em Wuhan, mas se recusa a cooperar com novas investigações internacionais sobre a origem do vírus, alegando que houve uma politização da questão pelos Estados Unidos..

Grupos dentro da extensa comunidade de Inteligência americana discordaram sobre as origens do vírus. Apesar de muitos pensarem que a doença surgiu da "exposição natural a um animal infectado ou de um vírus progenitor próximo", os mesmos tiveram "pouca confiança" nessa conclusão, segundo o resumo divulgado.


Um outro segmento da Inteligência, no entanto, alcançou uma "confiança moderada" de que a primeira infecção humana pela Covid decorreu provavelmente de um "incidente associado a laboratório, provavelmente envolvendo experimentação, manipulação de animais ou amostras pelo Instituto de Virologia de Wuhan".

O próprio resumo concluiu que os pesquisadores não seriam capazes de fornecer uma "explicação mais definitiva" sem novas informações da China, como amostras clínicas e dados epidemiológicos sobre os primeiros casos. A China afirma que já entregou esses dados à equipe de especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS) que visitou Wuhan no início do ano, e que não poderia entregar dados brutos dos pacientes — como exigido por alguns países — porque isso violaria a privacidade deles.

Na quarta-feira, quando o teor do relatório já havia sido noticiado pela imprensa, a China criticou a investigação, que classificou como uma "politização" americana dos esforços para rastrear a origem do coronavírus. Em vez disso, Pequim sugeriu que o vírus escapou de um laboratório na base do Forte Detrick do Exército em Maryland, em 2019, onde no passado foram feitas pesquisas sobre armas biológicas, pedindo investigações sobre ele.

— Inventar um bode expiatório chinês não pode limpar a barra dos EUA — disse Fu Cong, diretor-geral do Departamento de Controle de Armas do Ministério das Relações Exteriores, numa conversa com a imprensa. — Se os EUA insistirem que esta é uma hipótese válida, eles devem fazer sua parte, e permitir a investigação em seus laboratórios.

Na terça-feira, o enviado da China para as Nações Unidas pediu ao chefe da OMS uma investigação sobre os laboratórios dos EUA. Não há evidências substantivas que embasem a suspeita levantada por Pequim.

Nos meses após o surgimento da pandemia do coronavírus em todo o mundo, as agências de inteligência começaram a investigar como ela começou. O ex-secretário de Estado Mike Pompeo pressionou as agências americanas a investigarem a teoria de que o vírus foi criado dentro de um laboratório chinês e vazou acidentalmente. Pompeo formou seu próprio grupo de pesquisa para estudar a questão.

Durante o governo Trump, as agências de Iinteligência descartaram teorias de que o vírus foi deliberadamente disseminado. Apesar disso, disseram que não podiam tirar uma conclusão sobre duas alternativas: uma transmissão natural de um animal para um humano, ou um vazamento acidental do laboratório em Wuhan, que conduz pesquisas sobre vários tipos de coronavírus.

Embora a maioria dos cientistas seja cética sobre a teoria do vazamento no laboratório, pelo menos alguns se mostraram mais abertos a examiná-la neste ano. Alguns cientistas também criticaram o relatório da OMS de março que considerou improvável a teoria do vazamento.

Após esse relatório, os funcionários do governo Biden ficaram frustrados com a decisão do governo chinês de deixar de cooperar com mais investigações da OMS sobre as origens da pandemia. Biden ordenou então uma investigação de 90 dias, que resultou no relatório entregue ao presidente na terça-feira.

Os funcionários atuais e antigos do governo americano advertiram repetidamente que encontrar as origens precisas da pandemia pode ser um trabalho dos cientistas, em vez dos espiões.

Sob a direção da diretora de Inteligência Nacional Avril Haines, as agências intensificaram a cooperação com os cientistas, no intuito de entender melhor a atual pandemia e o risco de outras futuras.

As autoridades também advertiram que a revisão de 90 dias era provavelmente muito curta para tirar conclusões definitivas. O conteúdo completo do relatório permanece confidencial por enquanto.

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