Jornalista é executado por fomentar a violência durante os protestos contra o governo em 2017

Jornalista é executado por fomentar a violência durante os protestos contra o governo em 2017
14 dezembro 08:55 2020 Imprimir notícia
Mundo

O jornalista dissidente iraniano Ruhollah Zam, que foi condenado por fomentar a violência durante os protestos contra o governo em 2017, foi executado por enforcamento neste sábado (12), informou a televisão estatal iraniana.

Em uma decisão na terça (8), a Suprema Corte do país manteve a sentença de morte de Zam, capturado em 2019 após anos de exílio em Paris, onde vivia e trabalhava.

Ele tinha um canal de notícias no Telegram com 1,4 milhão de seguidores, Amadnews, chamado de "rede contra-revolucionária" pelo governo. Suspenso em 2018 pela rede social com a justificativa de "incitar a violência", a pedido de Teerã, a lista de distribuição retornou em seguida com novo nome.

A França e grupos de direitos humanos condenaram a decisão do Supremo iraniano. O grupo Repórteres Sem Fronteiras se disse "indignado com este novo crime da justiça iraniana" e culpou o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, pela execução.

Em outubro do ano passado, a Guarda Revolucionária de Teerã, o exército ideológico da República Islâmica, informou ter prendido o jornalista em uma "operação complexa", com uso de informações de inteligência. Não se sabe onde ocorreu essa operação.

A justiça acusou o opositor, que tinha 47 anos, de ser influenciado pelo serviço de inteligência francês e apoiado pelos serviços secretos dos Estados Unidos e de Israel.

Ao menos 25 pessoas morreram nos protestos contra o elevado custo de vida no país que afetaram dezenas de cidades iranianas entre 28 de dezembro de 2017 e 3 de janeiro de 2018. Teerã descreveu o movimento como sedição, o que rapidamente ganhou caráter político.

A pauta dos protestos acabou incluindo o presidente e até o líder supremo. Fora do país, o levante foi estimulado por figuras contrárias a Teerã, como o presidente americano, Donald Trump, e o premiê israelense, Binyamin Netanyahu.

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