Marido de jovem morta com tiro na cabeça no ES diz que disparo foi acidental e é liberado da delegacia

Marido de jovem morta com tiro na cabeça no ES diz que disparo foi acidental e é liberado da delegacia
09 novembro 17:38 2020 Imprimir notícia
Polícia

O companheiro da jovem Evellin Bernardo de Oliveira, de 20 anos, que morreu com um tiro na cabeça na última sexta-feira (30), se apresentou na delegacia na tarde desta quinta-feira (5), em Vitória, e confessou ser o autor do disparo. Após o depoimento, ele foi liberado.

Segundo a Polícia Civil, o homem de 21 anos foi espontaneamente até a Delegacia de Homicídios e Proteção à Mulher (DHPM) acompanhado de advogado e alegou que o tiro foi acidental. Evellin morreu durante uma comemoração, no dia em que faria 21 anos.

“No meio do aniversário, teve uma crise de ciúmes, eles começaram a discutir, ele retira o carregador da arma e, achando que a arma estava desmuniciada, ele aponta e aperta o gatilho, sem saber que, como era uma pistola, fica uma munição na agulha”, disse o advogado do jovem, Marcos Daniel.

De acordo com a polícia, o investigado tem outras cinco passagens anteriores. A última prisão, realizada pela Polícia Civil, ocorreu na nona fase da Operação Caim, em 24 de julho.

Na ocasião, ele foi autuado em flagrante pelos crimes de tráfico de drogas e porte ilegal de arma de fogo de uso restrito, sendo liberado no dia seguinte à prisão, por decisão judicial, em audiência de custódia.

Na decisão, a Justiça determinou, como medida cautelar, o uso de tornozeleira eletrônica. Mas, segundo a Secretaria de Justiça (Sejus), no dia 1º de novembro foi constatado que ele rompeu a tornozeleira.

A Sejus fez contato com a família para que fosse feita uma inspeção no equipamento, mas o jovem não apareceu na data determinada. O caso foi repassado ao Poder Judiciário.

Explicação

A mãe de Evellin, Aline Bernardo, lamentou que o rapaz não tenha ficado preso. “É como se eu perdesse ela pela segunda vez. Impotência. A família está revoltada, os amigos. Como uma pessoa que usa tornozeleira e tira, e comete um crime desse, confessa e sai pela porta da frente [da delegacia]? Eu queria entender.”

O advogado criminalista Cassio Rebouças de Moraes explicou por que, mesmo confessando o assassinato de Evellin, o homem permaneceu em liberdade.

“Só existe uma forma de prisão que não precisa de autorização judicial no Brasil: a prisão em flagrante, que é aquela que acontece logo quando o crime está sendo cometido ou logo após o cometimento do crime se houver algum tipo de perseguição ou se a pessoa for encontrada com instrumentos que indiquem que ele acabou de praticar aquela conduta. Fora isso, a prisão só é autorizada se houver mandado de prisão emitido pelo Poder Judiciário. Se a pessoa se apresenta em uma situação fora do flagrante, mesmo que confesse, se não há um mandado de prisão em aberto, a polícia não pode usar uma confissão para manter a pessoa presa. Até porque, se a pessoa se apresenta voluntariamente à autoridade policial, parte-se do pressuposto que ela não vai se evadir”, explicou.

Entretanto, se entender que a liberdade do indivíduo interfere no andamento do processo ou na produção de provas, a polícia pode pedir a prisão preventiva dele.

O caso

Evellin foi baleada na noite de sexta-feira (30) e, desde então, sua morte era um mistério para a família.

De acordo com o boletim de ocorrência registrado pela sogra de Evellin, a jovem foi deixada no Pronto-Atendimento (PA) da Praia do Suá com um tiro na cabeça e depois encaminhada ao Hospital Estadual de Urgência e Emergência (Heue), onde não resistiu ao ferimento e morreu.

Na ocasião, a mulher contou à polícia que a jovem tinha saído de casa com amigas para comemorar o aniversário de 21 anos. Dias depois, outros relatos começaram a surgir e levantaram novas hipóteses.

A mãe de Evellin, Aline Bernardo, recebeu áudios de pessoas que diziam ter participado do evento e que ouviram o disparo que matou a vítima. Os relatos eram de que, ao contrário do que a sogra da vítima havia dito, o companheiro de Evellin estava no local.

Esse mesmo companheiro, segundo Aline, já agrediu Evellin quando a jovem estava grávida.

PORTAL  SBN | COM INFORMAÇÕES DO G1 ES

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