Mulher achada morta na França relatava agressões: 'Não se case com o diabo'

Mulher achada morta na França relatava agressões: 'Não se case com o diabo'
28 setembro 15:32 2020 Imprimir notícia
Mundo

Antes de ser encontrada morta no apartamento onde morava com o marido e dois filhos na França, a paranaense Franciele Alves já tinha reclamado à família, que mora em Paiçandu, no norte do Paraná, que o relacionamento com Rodrigo Martin não estava bem, segundo a família.

Ao irmão Leandro Gabriel Torres da Silva, a vítima relatou que tinha sido agredida e era impedida de sair de casa.

“Ela relatou que foi agredida várias vezes por ele. O Rodrigo impedia ela de sair, monitorava a vida dela. Um tempo atrás ela disse ‘não se case com o diabo’. A Franciele pediu ajuda em uma igreja de lá, os dois tiveram assistência de casal, ele se comprometeu a mudar, mas não foi isso que aconteceu”, lamentou.

Em uma mensagem divulgada pela família de Franciele, Rodrigo questionava a mulher sobre o conteúdo de uma conversa que ela teve com a madrinha.

Em outra conversa por aplicativo com o pai, Franciele disse que “ele precisa saber que o que ele me faz está sendo ruim para nós. Ele sempre diz que vai mudar, mas ele nunca muda. Vamos ver se ele vai melhorar agora”.

Franciele e Rodrigo eram casados há cinco anos e decidiram mudar de país para melhorar a vida da família. Eles moravam de forma ilegal na França.

“Quando moravam em Paiçandu eram unidos, a nossa família considerava o Rodrigo um amigo. De um tempo para cá, ele começou a mudar, alguma coisa mudou na cabeça dele. Ela [Franciele] ficou recuada, ele impedia ela de pedir ajuda. Há um tempo ela pediu ajuda, disse que o Rodrigo ia acabar matando ela”, contou Leandro.

Crime

Franciele Alves foi encontrada morta na sexta-feira (25) com diversos ferimentos de faca pelo corpo no apartamento onde morava com o marido, em uma cidade perto de Paris.

De acordo com as autoridades francesas, o filho do casal, de 2 anos, e o enteado de Rodrigo, de 4 anos, foram deixados na casa do patrão dele. Rodrigo se entregou à polícia francesa no sábado (26).

A preocupação da família de Franciele, agora, é com as crianças, que estão sob proteção da Justiça francesa. Eles também não têm dinheiro para trazer o corpo para o Brasil.

“A nossa maior preocupação é trazer as crianças para casa, trazer os dois em segurança, não vamos deixar eles desamparados”, disse Leandro Gabriel Torres da Silva.

A família de Franciele Alves contou que vai procurar o Itamaraty nesta segunda-feira (29) para pedir ajuda. Na França, o irmão de Franciele diz que um grupo de mulheres está concentrando doações em dinheiro para poder ajudar no pagamento do translado do corpo e também para trazer as crianças ao Brasil.

Até a última atualização desta reportagem, a família de Rodrigo Martin, que mora em Paiçandu, não retornou os contatos feitos pela RPC.

“Ela sempre buscou a melhoria de vida para ela, para os filhos e para nossa família. Isso era o sonho dela. Ele [Rodrigo] tirou a vida de uma família inteira, ela era a luz, sempre nos apoiou e nos incentivou. Queremos Justiça”, concluiu Leandro Gabriel Torres da Silva.

PORTAL  SBN

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