Mulher atingida por bala perdida, criança de 1 ano e policiais morreram durante motim

Mulher atingida por bala perdida, criança de 1 ano e policiais morreram durante motim
19 fevereiro 10:28 2021 Imprimir notícia
Polícia

Era madrugada do dia 25 de fevereiro de 2020. Começava o oitavo dia de motim policial no Ceará. Naquele momento, a jovem comerciante Ângela Cristiany Nobre Palácio, de 24 anos, estava com o marido em um posto de gasolina no bairro Cristo Redentor, periferia de Fortaleza.

Ela foi ao local comprar cervejas para comemorar o aniversário do irmão e deixou os filhos em casa com a mãe. Enquanto esperava a troca de turno dos trabalhadores do posto de conveniência, ouviu tiros e correu. Ela não era o alvo, mas, enquanto tentava fugir dos disparos, foi atingida e morreu ali.

Em nota, o Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) afirmou que o processo que apura o crime está tramitando na 2ª Vara do Júri e analisa as responsabilidades de Marcos Antônio Gomes da Frota Filho, Josué Ferreira Batista Filho e Damião de Vasconcelos Oliveira. Os dois primeiros foram denunciados pelo Ministério Público do Ceará (MPCE) por homicídios consumados e tentados, e organização criminosa; o último, por fraude processual.

Cristiany foi uma das 336 pessoas assassinadas durante os 13 dias em que aconteceu o motim da Polícia Militar. O período rendeu ao Ceará o mês de fevereiro mais violento da história e o segundo dia com o maior número de homicídios da última década.


21 mulheres mortas

A comerciante foi uma das 21 mulheres mortas no estado durante o período. Ela e o marido ainda nem haviam comemorado a lua-de-mel do casamento recente, tampouco viajado naquele carnaval. O aniversário do irmão seria o momento da celebração, mas nem ocorreu por causa da violência que acometeu o Ceará, especialmente durante a paralisação de servidores do estado.

Um dia depois da morte de Cristiany, Desideria Nascimento Gomes, de 21 anos, foi vítima de feminicídio. O acusado é o então marido dela Cícero Fernandes Januário, 23. Ela foi assassinada dentro da própria casa, na frente do filho de um ano do casal e da sua própria irmã.

O julgamento do suspeito do crime de feminicídio estava marcado para o último dia 3 de fevereiro, mas, conforme o TJCE, ele foi adiado para 28 de abril deste ano, "período em que todos os expedientes do processo estarão finalizados", argumentou o órgão.

'Nunca mais vou esquecer'

Em Beberibe, foram mortos o pai Jorge Gomes Xavier, de 39 anos, e a sua filha Jorgiane dos Santos Xavier. Ela tinha apenas 1 ano e 11 meses. Ambos estavam dormindo no momento do crime, ocorrido em 22 de fevereiro do ano passado. A avó da criança, Liduina Xavier, disse que nunca iria esquecer daquele momento doloroso.

“Eu escutei um carro passar, mas não saí para olhar. Depois, eu escutei uma pancada enorme da porta sendo aberta. Aí, eu escutei o barulho de cinco tiros. Quando eu cheguei, ele estava na rede. Eu ainda chamei pelo apelido dele, ‘Neguinho’, mas ele não falou nada. Depois, eu fui até a rede da minha neta e vi uma poça de sangue debaixo da rede dela. Nunca mais vou esquecer o que vi”, contou Liduina.

Policiais mortos

Na época da paralisação da Polícia Militar, agentes da segurança pública também foram vítimas da violência no Ceará. O policial penal Paulo Vitor Passos Teixeira, de 25 anos, foi assassinado no dia 1º de março, no bairro Papicu, em Fortaleza.

Ele voltava da comemoração de aniversário da namorada e entrou por engano em uma viela por causa de um GPS. O policial foi abordado por seis homens de uma facção criminosa e, por medo de ser identificado como agente, fugiu correndo, mas foi atingido por disparos de arma de fogo.

Já o corpo do cabo da Polícia Militar Heitor de Amorim Silva, de 31 anos, foi encontrado no dia 29 de fevereiro, na cidade de Pacatuba, na Grande Fortaleza. No mesmo dia, três PMs foram baleados ao reagirem a assaltos. O então secretário da segurança pública na época, André Costa, lamentou a morte do agente da segurança e disse que ela, assim como as outras, eram "resultado de um movimento ilegal, que insiste em manter viaturas sequestradas dentro de batalhões e companhias, além de impedir que militares trabalhem”.

PORTAL SBN | COM INFORMAÇÕES DO G1

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