O que se sabe sobre a 'síndrome misteriosa' que matou 1 em MG

O que se sabe sobre a 'síndrome misteriosa' que matou 1 em MG
09 janeiro 17:08 2020 Imprimir notícia
Brasil

Uma "síndrome misteriosa", que vem sendo denominada de "nefroneural", foi notificada em pelo menos oito pacientes de Belo Horizonte e está mobilizando as autoridades de saúde desde o início de janeiro. Um nono caso era investigado, mas acabou descartado.

Nesta quarta-feira (8), a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) e a Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte receberam reforço de profissionais do Ministério da Saúde para investigar as causas do aparecimento da doença, ainda não identificada.

A Fundação Ezequiel Dias (Funed), órgão estadual de pesquisa responsável por análises laboratoriais, realiza exames de amostras de sangue dos pacientes. A Polícia Civil apura se há indícios de crime.

Os sintomas da síndrome podem incluir náusea, vômito e dor abdominal, evoluindo rapidamente para insuficiência renal e alterações neurológicas. Até agora, a síndrome apareceu apenas em homens, com idades entre 23 e 76 anos. Um deles, Paschoal Demartini Filho, de 55 anos, morreu nesta terça-feira.

Todos os casos apareceram em pessoas que moram ou estiveram em um mesmo bairro, o Buritis, que fica na Região Oeste de Belo Horizonte.

Como o caso veio à tona?

O caso veio à tona nesta segunda-feira (6) após circularem informações nas redes sociais de que pessoas de uma mesma família estariam hospitalizadas, em estado grave, com sintomas de uma doença ainda desconhecida.

Havia informações de que essas pessoas teriam comprado a cerveja Belorizontina em supermercados do Bairro Buritis. A empresa Backer, que fabrica a Belorizontina, negou que a bebida possa ter relação com os sintomas apresentados pelos pacientes e declarou que as mensagens são mentirosas.

Uma amiga da família do paciente que morreu disse ao G1 que não há a confirmação de que ele tenha tomado a cerveja. A Vigilância Sanitária de Belo Horizonte recolheu alimentos para análise.

Quais são os sintomas?

Os sintomas se iniciam com náusea/vômito e/ou dor abdominal, associados à insuficiência renal aguda grave de evolução rápida, em até 72 horas. Além disso, há alterações neurológicas, como paralisia facial e borramento visual. A média de dias entre o início dos primeiros sintomas e a internação foi de 2,5 dias.

Quantos casos foram identificados até agora?

Até a última atualização desta reportagem, na quinta-feira (9), nove homens haviam apresentado insuficiência renal e alterações neurológicas com rápida evolução. Um deles teve a relação com a síndrome nefroneural descartada. Com exceção do que morreu, todos os outros sete seguiam hospitalizados.

De onde são os pacientes?

Todos os homens que apresentaram sintomas são ou estiveram na capital mineira. Paschoal Dermatini Filho, que morreu na quarta-feira, era de Ubá e estava internado em Juiz de Fora, mas havia passado as festas de fim de ano no bairro Buritis, em Belo Horizonte.

Quantas mortes foram registradas?

Vários boatos chegaram a circular nas redes sociais informando que houve várias mortes, mas apenas a de Paschoal Dermatini Filho foi confirmada.

Quando começaram os registros da doença?

Os casos foram relatados ao Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS-Minas) entre os dias 19 e 31 de dezembro.

Outros dois casos foram confirmados pela Secretaria de Saúde nesta quarta-feira (8), mas não se sabe ainda quando os pacientes apresentaram sintomas e foram internados.

Já existem diagnósticos prováveis?

Ainda não há uma conclusão sobre o que é esta síndrome ou o que teria provocado os sintomas. A Secretaria de Estado de Saúde não informa quais são as causas prováveis.

O infectologista e membro da Sociedade Brasileira de Infectologia Carlos Starling disse ao G1 que nenhuma hipótese pode ser descartada.

“Existem várias possibilidades, de doenças infecciosas a intoxicações por algum produto. Pode ser toxina de microrganismo. Existem inúmeras bactérias, vírus e até produtos que possam ter provocado os sintomas”, afirmou

Por que a Polícia Civil está no caso?

A Polícia Civil informou que deu início a investigações preliminares para constatar se há indícios de crime, como envenenamento, por exemplo. O Instituto de Criminalística confirmou que analisa amostras de bebidas que, supostamente, poderiam ter provocado os sintomas. Entretanto, a polícia não confirma que bebidas seriam estas. O inquérito policial só será instaurado se constatado que houve ação criminosa.

PORTAL SBN| COM INFORMAÇÕES DO G1 MINAS

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