Odiado por torcida do Boca, técnico do Atlético-MG tem amores no México e na Argentina

Odiado por torcida do Boca, técnico do Atlético-MG tem amores no México e na Argentina
14 janeiro 10:58 2022 Imprimir notícia
Esporte

Escolhido pelo Atlético-MG para substituir o técnico Cuca, que optou por deixar o clube ao fim do Campeonato Brasileiro, o argentino Antonio "El Turco" Mohamed, 51, tem na bagagem uma coletânea tão -ou mais- vasta de causos históricos quanto a de seu antecessor.

Ex-atacante com passagem por 11 clubes da Argentina e do México, além da própria seleção de seu país, Mohamed é odiado por torcedores do Boca Juniors. Ele jamais foi perdoado por ter perdido um gol contra o Huracán, seu time do coração, em 1991.

Na ocasião, depois de ter recebido passe dentro da área, ele hesitou de frente para o goleiro. Na tentativa de passar a bola para Diego Latorre, acabou sendo desarmado pelos rivais.

El Turco nega em todas as entrevistas que o erro tenha sido proposital. Mas ele precisou deixar o estádio La Bombonera dentro do porta-malas do vice-presidente do Boca, Carlos Heller.

"É como quando você não quer bater no seu filho. Você fica um pouco fora de controle", afirma em um trecho de sua biografia oficial, escrita pelo jornalista Leonardo Sánchez.

A relação do novo treinador atleticano com o Huracán é chamada de exemplo de lealdade por parte dos argentinos. Ela foi influenciada diretamente pelo pai e fomentada por um amor incondicional, pouco comum em atletas profissionais.

Enquanto jogador, Mohamed marcou o gol que garantiu ao time a conquista da segunda divisão argentina, em 1990, sobre o Los Andes.

Anos depois, em 2007, já como técnico, conduziu a equipe mais uma vez à primeira divisão. O contexto foi ainda mais dramático, já que meses antes havia perdido Farid, seu filho de nove anos, em um acidente automobilístico na Alemanha.

Ainda é viva na lembrança de funcionários a cena de El Turco chegando ao centro de treinamentos La Quemita com visível dificuldade de locomoção. Apoiado por muletas, ele apareceu para cumprir uma das promessas que fizera ao garoto, levar o Huracán à elite do futebol argentino.

"Eu me revoltei com Deus", admitiu em várias entrevistas.

O cumprimento da segunda promessa se daria em 2019, quando trabalhou como técnico do Monterrey, outro time de torcida declarada de seu filho. Segurando um terço usado por Farid, o treinador chorou copiosamente no banco de reservas após o título do Mexicano.

A relação com o Huracán ainda pode ganhar mais capítulos. Em 2015, pouco antes da decisão da Copa Sul-Americana, perdida para Santa Fe, ele deixou clara a intenção de retornar como dirigente.

"Quero ser presidente do Huracán. É um sonho daqui a dez anos. Estou me preparando", afirmou ao diário El Gráfico.

Outra conhecida história foi protagonizada ao lado de Diego Simeone, ex-volante e atual técnico do Atlético de Madrid. Eles perderam o horário do treinamento da seleção sub-23 e, sem dinheiro para o ônibus, correram cinco quilômetros até o local da atividade, que já havia acabado. Ao ver a cena, o histórico técnico Carlos Bilardo chamou a dupla para treinar com a seleção principal.

"Ele é um tipo extravagante, mas uma grande pessoa e um grande amigo. Como jogador, foi extraordinário. É também um grande técnico, que gosta de que suas equipes joguem um grande futebol. Cumpriu etapas vitoriosas no México, com títulos. O Atlético contratou um grande técnico, mas, acima de tudo, um grande ser humano", disse à reportagem o técnico Miguel Herrera, ex-comandante da seleção mexicana, atualmente no Tigres.

Outra história curiosa envolve o seu peso. Ele admitiu ter adulterado uma balança –retirando um de seus parafusos– para não ver acusados seus quilos a mais durante uma pré-temporada. Encerrou a carreira de atacante em 2003.

Enquanto jogador, também demonstrou irreverência sendo um dos precursores a utilizar tiara nos cabelos, o coque samurai e colantes de ginástica coloridos por baixo do calção. No fim de carreira, era comum vê-lo de cabelos pintados.

"Ele é um treinador que tende a ter química com seus jogadores. Será fundamental gerar empatia com a equipe desde o início para atingir seus objetivos", explica o biógrafo Leandro Sánchez.

Como técnico, tem longo currículo. Entre os principais feitos estão a conquista da Sul-Americana de 2010, com o Independiente, e múltiplos triunfos no Campeonato Mexicano e na Copa Mexicana.

Mohamed já cruzou o caminho do Atlético-MG em 2013, em jogo marcante da equipe alvinegra no caminho para a conquista da Copa Libertadores. Na ocasião, seu Tijuana foi eliminado, em jogo sempre lembrado pela defesa de pênalti de Victor nos minutos finais do duelo.

Agora, assim como Cuca, ele espera mostrar que não é só bom de histórias. Para ele, "o jogador está acima do sistema". Assim, o argentino se vê capaz de se ajustar ao estilo deixado pelo vitorioso antecessor brasileiro.

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