PM ameaça moradores após morte de homem no Rio: 'Se sair, vão se machucar!'

PM ameaça moradores após morte de homem no Rio: 'Se sair, vão se machucar!'
05 janeiro 10:37 2021 Imprimir notícia
Brasil

Um policial militar do 18º BPM (Jacarepaguá) postou nas próprias redes sociais nesta segunda-feira (4/1) uma ameaça a moradores da Cidade de Deus depois que o marmorista Marcelo Guimarães, 38 anos, foi baleado e morto em um dos acessos à comunidade, horas antes.

“Se sair para fazer gracinha, vão se machucar!”, escreveu o PM.

A postagem foi apagada. À TV Globo, a corporação afirmou que convocou o militar para depor e que um procedimento foi aberto.

Marcelo seguia de moto sob um viaduto da Linha Amarela quando foi alvejado. Ele morreu na hora.

A PM sustenta que o marmorista ficou no meio de um tiroteio depois que militares foram atacados por traficantes e revidaram.

Já a família de Marcelo nega ter havido confronto e afirma que o tiro que o matou foi disparado de dentro do Caveirão.

O enterro acontecerá no Cemitério de Inhaúma, na Zona Norte, nesta terça-feira (5). Marcelo era casado há 21 anos e tinha dois filhos — o caçula, de 5 anos, ainda não sabia da morte do pai até a manhã desta terça e perguntou por ele.

Na postagem, o PM afirma que estava de “fiscal de dia” do batalhão — uma espécie de autoridade do destacamento — e defende a tropa.

“Não foi nenhum dos meus! Querem colocar na nossa conta!”, escreveu.

Sem provas, o militar culpou o tráfico pela morte de Marcelo: “Foi vagabundo do Tijolinho que acertou o cara.”

“Antes de saber, enfia a língua no c*, seus FDP protetores de bandidos! Já estou com dois caveirões e 38 policiais na base”, emendou.

No início da tarde de segunda, moradores fecharam a Linha Amarela por meia hora, em protesto.

Perícias

O Caveirão — veículo blindado da PM — que estava no local onde Marcelo foi morto chegou nesta terça-feira (5) para uma perícia. Dois fuzis do 18º BPM (Jacarepaguá) também foram apreendidos.

Peritos da Cidade da Polícia inspecionavam o Caveirão à procura de marcas de tiros ou indícios de disparos.

Já as armas, de calibre 7,62, serão confrontadas com a munição do cartucho encontrado no local. Uma irmã de Marcelo alegou ter encontrado um cartucho do mesmo calibre próximo do corpo dele.

Em depoimento, um dos policiais confessou que atirou de dentro do blindado porque queria dar cobertura para que outro policial, do lado de fora, conseguisse se abrigar dentro do veículo.

'Matam e ficam rindo', diz mãe

Angélica, mãe da vítima, conta que Marcelo matriculou o filho de 5 anos há dois dias numa escolinha de futebol e que foi levá-lo para o primeiro dia de aula. Na volta, foi assassinado.

"Meu filho tava indo trabalhar. Eles atiraram à queima-roupa, uma ruindade tremenda. Não pararam pra perguntar se era bandido. Um único tiro. Não pararam pra perguntar se era bandido, não investigaram", relata.

Segundo ela, os policiais não chegaram sequer a abordá-lo.

"E matam e ficam rindo. Porque tinham policiais aqui (no local do crime) rindo. Eu só quero uma coisa: que dessa vez a justiça seja feita. Isso não pode continuar assim, eles assassinando vidas."

Carla, a viúva, fez coro.

“Foram os policiais que tiraram a vida do meu marido. Isso eu sei porque não teve confronto na Cidade de Deus. Infelizmente eu cheguei lá e meu marido estava no chão”, contou Carla, emocionada.

PORTAL  SBN | COM INFORMAÇÕES DO G1 

Deixe seu comentário

SIGA-NOS

Rádio Online

Rádio Online

Últimas Notícias

  • Bahia
  • Espírito Santo

Bahia

Espírito Santo

As mais lidas do mês

SIGA-NOS

Rádio Online

Rádio Online

Últimas Notícias

  • Bahia
  • Espírito Santo

Bahia

Espírito Santo

As mais lidas do mês