Policial Militar mais antigo do Rio morre aos 104 anos: 'Até nos últimos instantes estava em combate'

Policial Militar mais antigo do Rio morre aos 104 anos: 'Até nos últimos instantes estava em combate'
19 outubro 19:45 2020 Imprimir notícia
Brasil

Duas guerras mundiais, gripe espanhola e Covid-19. O carioca João Freire Jucá Sobrinho, de 104 anos, enfrentou muitos momentos históricos no Brasil e no mundo. Policial militar reformado mais antigo do Estado do Rio de Janeiro, combateu a sua última batalha na noite de domingo, dia 18, quando morreu de mal súbito em Petrópolis, na Região Serrana do Rio, em casa e ao lado da família. O tenente-coronel foi velado nesta segunda-feira, dia 19, e sepultado no Cemitério de Petrópolis nesta tarde.

O veterano dedicou mais de 40 anos da sua vida à carreira militar. Ele entrou na corporação ainda jovem como ajudante. Logo em seguida, fez a prova e se tornou soldado. Jucá chegou a ser instrutor de educação física no Batalhão e o primeiro comandante da polícia motorizada no Rio. O policial reformado deixou cinco filhos, 17 netos e 22 bisnetos, além da sua mulher, Evagelina, de 95 anos. O casal completaria 78 casados no fim de 2020.

— Ele descansou. Passou mal por volta das 18h, mas deu o último suspiro por volta das 22h30. Foi uma morte tranquila, honrada, da forma que ele nos pediu, com seus filhos, netos e bisnetos ao lado dele. Graças a Deus conseguimos lhe proporcionar isso. Ele estava muito sereno. Não tinha medo da morte. Então, essa foi a maior lição que ele nos deu. Até nos últimos instantes, ele estava em combate — diz a neta Patrícia de Figueiredo, de 44 anos, filha de Sonia Maria Jucá, filha do meio do ex-policial.

Há cerca de três semanas, seu Jucá teve um derrame, chegou a ser hospitalizado na cidade serrana, mas voltou para casa há cerca de dez dias, após receber uma bênção de um padre, se confessar e ter extrema-unção. Nesse período, o policial reformado recebeu a visita e o carinho de todos os filhos, os netos e os bisnetos, que se despediram dele. Foi o que a neta chama de sobrevida.

— Ele estava bem lúcido, aproveitou todos os dias e os momentos finais que ele teve para se despedir. Ele reconhecia cada um de nós. Meu avô sempre foi uma pessoa maravilhosa, um gentleman. Dava carinho e atenção para minha avó, para família, para as cuidadoras. Era uma pessoa ímpar, com uma grande história de vida, que nos inspirava — conta a neta.

Jucá nasceu no Rio de Janeiro e foi criado no bairro de Anchieta, na Zona Norte do Rio. Antes de se aposentar da polícia, aos 59 anos, foi viver com a mulher em Petrópolis, onde passou mais da metade da sua vida.

No seu RG na Polícia, uma coincidência: o número é o 1-04 que, se juntar, forma a idade dele. Aliás, o aniversário de 2020, realizado em 10 de abril, foi em plena pandemia do coronavírus, sem aglomeração, mas com a família por perto.

— No aniversário dele, fizemos uma festa, mas só com eles em casa. Nós estávamos longe. Ele até recebeu continência de um representante da PM. Meu avô era um super avô. Sempre bem-humorado, cantava muito, gostava de ir à praia, de flores, de cuidar do jardim e de pilotar. Foi o primeiro comandante da polícia motorizada do Rio. Uma parte da tropa até veio fazer uma homenagem para ele. É o nosso maior orgulho e viveu intensamente em vida. Fica a saudade — diz Patrícia.

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