Sargento acusado de estupro fugiu às pressas após ligação de superior

Sargento acusado de estupro fugiu às pressas após ligação de superior
01 setembro 19:02 2020 Imprimir notícia
Polícia

O sargento Leonardo Lourenço da Silva, réu pelo estupro de uma produtora cultural em Copacabana, Zona Sul do Rio, fugiu às pressas do apartamento da mulher quando recebeu uma ligação de um oficial supervisor. É o que revela o Inquérito Policial Militar (IPM) que investigou o crime, que aconteceu no último dia 24, às 11h. Segundo a investigação, ele tentou tirar a roupa da mulher à força e foi embora repentinamente, quando recebeu a ligação do superior, que queria saber onde ele estava.

Na ocasião, o sargento deveria estar patrulhando a orla da praia: ele estava escalado no Regime Adicional de Serviço (RAS), o "bico oficial" da PM, em que os agentes trabalham para a corporação em suas folgas. O policial, entretanto, deixou seu posto junto com um colega e foi até o prédio da vítima.

Lourenço conseguiu subir até o apartamento alegando que queria colher mais informações sobre uma ocorrência de briga entre vizinhos registrada dias antes. O outro agente ficou do lado de fora. Segundo a denúncia do Ministério Público, assinada pelo promotor Paulo Roberto Mello Cunha Jr., o sargento — que é lotado no 19º BPM (Copacabana) — "dominou a vítima, valendo-se de sua maior força física, chamando-a de 'X9', e tocando o corpo da vítima em várias partes, apalpando seus seios e introduzindo os dedos em sua vagina".

A juíza Ana Paula Pena Barros, da Auditoria Militar do Tribunal de Justiça, recebeu a denúncia e decretou a prisão preventiva de Lourenço na noite desta segunda-feira. A vítima, de 31 anos, acusou o agente de tentar tirar suas roupas à força após entrar no apartamento.

— Ele tinha ido até o prédio em outra ocasião, dias antes, por causa de um desentendimento meu com uma vizinha. E voltou no dia 24 dizendo que precisava apurar alguns detalhes. Estava muito frio e chovendo. Eu usava uma blusa, um shortinho de dormir e um roupão. Ele enfiou a mão embaixo da blusa e a outra dentro do short e foi me machucando — recorda a vítima.

Vídeos de câmera de segurança do prédio mostram quando o policial chegou e saiu do prédio, sempre de cabeça baixa. A vítima fez exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (lML). O laudo atestou “vestígios de ato libidinoso diverso da conjunção carnal”, por “ação violenta contundente”.

O sargento está na PM há 20 anos — pelo menos sete deles, batendo ponto no 19º BPM. Essa não é a primeira anotação na ficha do agente: em 2015, uma investigação interna da PM concluiu que Lourenço integrava um grupo de agentes do batalhão que “foram observados, fotografados e filmados recebendo vantagem pecuniária para não coibir quaisquer irregularidades” numa boate de Copacabana.

A vigilância da Corregedoria durou de outubro de 2013 e abril de 2014. Segundo relatório da investigação, Lourenço e mais dez PMs foram observados recebendo envelopes de funcionários do estabelecimento. Ao final do IPM, os agentes foram submetidos a Conselho de Disciplina, que poderia até expulsá-los da corporação. Em agosto de 2016, no entanto, o sargento foi considerado “capaz de permanecer na ativa”.

A produtora cultural acusou PMs do batalhão de Copacabana de não levarem sua denúncia a sério quando ela prestou depoimento no quartel.

— Fizeram pegadinhas para me testar e ver se eu estava mentindo. Toda vez que eu o reconhecia, trocavam de foto. Aquilo para mim foi muito humilhante. Como mulher, você tem que provar que não é prostituta. E se for, não presta e tem que ser estuprada?.

A mulher deixou o Rio, amedrontada. Em nota, a PM alegou “que pune com o máximo rigor desvios de conduta”.

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