Obra patrocinada, capacidade menor e jogos em 2022: os planos do Fluminense para Laranjeiras

Obra patrocinada, capacidade menor e jogos em 2022: os planos do Fluminense para Laranjeiras
30 janeiro 09:09 2021 Imprimir notícia
Futebol

Como divulgado pelo Fluminense na última sexta-feira, o clube contratou uma empresa especializada para fazer um "diagnóstico" da parte estrutural de Laranjeiras pelos próximos três meses e, a partir daí, entender quais obras são viáveis para revitalizar a sede. O laudo começou a ser elaborado nesta semana, mas já existem planos para o projeto sair do papel.

Mário Bittencourt durante encontro com o presidente da Conmebol, Alejandro Dominguez, e o secretário-geral da CBF, Walter Feldman nas Laranjeiras — Foto: Mailson Santana / Fluminense FC
Mário Bittencourt durante encontro com o presidente da Conmebol, Alejandro Dominguez, e o secretário-geral da CBF, Walter Feldman nas Laranjeiras — Foto: Mailson Santana / Fluminense FC

Para além da revitalização, há uma preocupação em relação à segurança que a estrutura suporta hoje em dia e qual capacidade máxima poderá comportar. Foram consultadas oito empresas especializadas e a escolhida para elaborar a análise técnica foi a "Encopetro Engenharia Estrutural".

Anteriormente e em paralelo à busca pela empresa, o Fluminense visitou outros estádios no Rio de Janeiro – que costumam receber jogos do Campeonato Carioca – para entender quais as premissas para a realização de partidas oficiais: entrada destinada à ambulância, número de saídas, sistema de iluminação, entre outras questões de logística.

 

Obra patrocinada
O ge apurou que a ideia é inicialmente utilizar recursos da parceria com a Tim para executar a futura reforma. A empresa de telefonia, que já é parceira do clube e investe cerca de R$ 5 milhões nos esportes olímpicos atualmente, passaria a destinar o dinheiro à restauração de patrimônios.

A diretoria ainda aguarda o laudo para saber a viabilidade do projeto. Mas a reportagem apurou que internamente já há uma estimativa de R$ 10 milhões a R$ 12 milhões de gastos na reforma, que deve durar de um ano a um ano meio.
Capacidade reduzida
O laudo da engenharia também definirá a quantidade máxima de público que o local poderá receber sem que ofereça riscos à estrutura. Nos bastidores, já imagina-se um estádio com capacidade para cerca de sete mil pessoas, informação que foi divulgada pelo site "NetFlu" e confirmada pelo ge. Seria a menor capacidade do palco, que foi construído em 1919 para 18 mil pessoas; em 1922 passou para 25 mil; e em 1986 foi reaberto para até oito mil torcedores.

Com sete mil lugares, as Laranjeiras não poderão receber jogos da Série A do Campeonato Brasileiro, uma vez que a CBF exige em seu regulamento que os estádios possam ter 12 mil torcedores sentados ao mesmo tempo. Por outro lado, a sede tricolor poderia ser usada para jogos contra times de menor expressão do Carioca e nas duas primeiras fases da Copa do Brasil, onde não há uma capacidade mínima específica.

Jogos em 2022
A expectativa é concluir as obras entre o meio e o final do ano que vem para voltar a receber jogos do profissional nas Laranjeiras a partir da reta final da temporada de 2022. A ideia é que sejam apenas algumas partidas em que já são esperados públicos menores. Isso porque, como previsto em contrato com o Consórcio Maracanã, o Fluminense tem que mandar, no mínimo, 30 jogos por temporada no estádio que administra junto com o Flamengo.

Mesmo com a reforma na sede, a prioridade do clube não deixará de ser o Maracanã. O "novo estádio" das Laranjeiras continuaria sendo a casa das categorias de base e do time feminino, mas também entraria no circuito da cidade para receber shows e eventos após a revitalização.

Rusgas com Grupo "Laranjeiras XXI"
Em 2017, o grupo denominado "Laranjeiras XXI", que ressalta ser apolítico, tomou a iniciativa de elaborar um projeto de revitalização do estádio, com uma proposta para receber 15 mil pessoas. O projeto foi oferecido na gestão de Pedro Abad, que alegou falta de condições financeiras para assumir a reforma.

Na atual direção, o presidente Mário Bittencourt chegou a manter conversas com o "Laranjeiras XXI" no início do mandato. Porém, o modelo projetado para as obras não seguiu a linha das sugestões do grupo, que não esconde um descontentamento. Procurados pelo ge, os membros mandaram o seguinte posicionamento:

"O Grupo Laranjeiras XXI continuará defendendo o desenvolvimento do projeto, a viabilização da reforma de uma maneira mais ampla do que apenas restaurar o estádio existente, propondo o que dará mais retorno ao clube e terá maior viabilidade em ser executado. Uma revitalização da forma que está sendo proposta, dificilmente (o clube) vai conseguir os recursos necessários. A gente vai aguardar até que a gestão do Fluminense, seja ela qual for, tome as medidas cabíveis".

Em reunião virtual que durou quase cinco horas, na última quinta-feira, o Fluminense alegou aos conselheiros que há impossibilidade de novas construções na Rua Pinheiro Machado, pois a vista dos apartamentos no local, alguns com ângulo para o Cristo Redentor, é tombada pelo Inepac (Instituto Estadual do Patrimônio Cultural). Membros do "Laranjeiras XXI", porém, alegam que já consultaram a prefeitura e pediram provas da "proibição" na última reunião do Conselho Deliberativo do clube.

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